Obras industriais revelam um novo Brasil

O cidadão que se impressiona com a velocidade com que obras industriais, como supermercados e shopping centers, são erguidas atualmente nem desconfia que por trás de um empreendimento desta envergadura há uma verdadeira operação de guerra. Além de envolver, às vezes, mais de 500 pessoas, esse tipo de construção conta com um intrincado planejamento logístico e muita tecnologia para cumprir cronogramas que, em média, duram de quatro a nove meses.

Segundo Gilberto Kaminski, gerente de planejamento e controle do setor de obras industriais do Grupo Thá, este talvez seja o setor da construção civil que mais evoluiu recentemente no Brasil. “As obras industriais no país sofreram uma grande transformação a partir dos anos 90. A chegada de novas montadoras de veículos, além do desembarque de grupos internacionais ligados ao varejo e outras atividades econômicas, obrigou as construtoras a aprimorar o modelo de construção. Hoje, orçamento, planejamento, profissionais especializados e sistemas construtivos fazem toda a diferença”, revela.

As atuais obras industriais têm um plano construtivo calcado em estrutura, cobertura, fechamento externo e piso. Para ganhar agilidade, os pré-moldados, os blocos de concreto, as pinturas texturizadas, a tecnologia de secagem do concreto e os equipamentos tornaram-se essenciais neste tipo de construção. “Os processos artesanais não cabem mais em obras desta envergadura. Um exemplo são os antigos pisos que lembravam um xadrez, que antigamente representavam uma etapa demorada das obras industriais. Hoje eles entraram para a história, pois os pisos atualmente dispõem de um plano de concretagem e de nivelamento muito rápidos”, lembra Gilberto Kaminski.

O segredo para que obras industriais cumpram o cronograma passa também pelos fornecedores. No caso do Grupo Thá, eles são vistos como estratégicos. “São parceiros que levamos juntos pelo Brasil afora. Eles desenvolveram know-how para atender as demandas deste tipo de obra. Então, quando falamos que vamos construir mil metros quadrados, eles já sabem o quanto é necessário de cimento, blocos de concreto, material hidráulico, material elétrico e tudo mais que a obra necessita”, afirma Kaminski.

Concorrência e crise
Quando um cliente contrata uma obra industrial, além da qualidade, ele quer saber de preço e prazo. As construtoras que trabalham com este tipo de empreendimento atuam no fio da navalha nestes quesitos. O motivo é a forte concorrência. “A disputa se dá do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. As empresas de São Paulo são nossas principais concorrentes, seguidas das do Rio de Janeiro e de Minas Gerais”, revela o gerente do Grupo Thá.

Quanto ao impacto da crise econômica global sobre o setor de construção, ela causou efeitos colaterais diferentes. No mercado varejista praticamente não houve sintomas. As contratações se mantêm estáveis e aquecidas. Já as indústrias tiveram uma queda vertiginosa, com paralisações de obras que já haviam iniciado e suspensão de projetos futuros. Quanto aos shopping centers, a maioria segurou os planos por seis meses. “A expectativa é que neste segundo semestre de 2009 boa parte destas obras seja retomada”, avalia Kaminski.

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